sexta-feira, 13 de janeiro de 2012

sábado, 17 de setembro de 2011

MIRANDÊS FAZ 12 ANOS

Sabia que pode fazer um requerimento a um serviço do Estado em mirandês ?
Há 12 anos o mirandês ganhou o estatuto de segunda língua oficial do País, tendo chegado à Assembleia da República pela voz do deputado Júlio Meirinhos. A partir de então, passou a ser ensinado nas escolas de Miranda do Douro e todos os anos conta com centenas de alunos.

sexta-feira, 16 de setembro de 2011

DIA 23: COMEMORAÇÔES DO 106º ANIVERSÁRIO

A Casa de Trás-os-Montes e Alto Douro faz, no próximo dia 23 de Setembro, a bonita idade de 106º anos! A comemoração realizár-se-a neste mesmo dia (sexta-feira), e o programa é o seguinte:



15h - Inauguração da exposição da Pintora Graça Morais "Tempo de Cerejas e Papoilas. Trás-os-Montes 2011" na Galeria Ratton (Rua Academia das Ciências 2ºC)

17h - Missa na Igreja Conventual das Franciscanas Missionárias de Maria (Rua Chaby Pinheiro, nº 12 - ao Campo Pequeno)

18h14 - Sessão solene: homenagem à pintora Graça Morais com a intervenção do Prof. Adriano Moreira. Durante a sessão, serão ainda homenageados os sócios com 50 e 25 anos de aassociados da Casa. Esta sessão decorrerá na CTMAD.

20h30 - Jantar de aniversário e confraternização na Ordem dos Engenheiros (Av. António Augusto de Aguiar, nº 3 D - junto ao Hotel Eduardo VII). Preço 25,00€. Data Limite para inscrições: 16 de Setembro de 2011 (obrigatóriamente acompanhadas pelo pagamento sem o qual não serão consideradas)

Para qualquer informação contactar a Sede da CTMAD pelo nº 217939311 ou pelo e-mail ctmad.lisboa@gmail.com.

Contamos consigo!

sexta-feira, 9 de setembro de 2011

Saíu o NTMAD nº125

Foi remetido pelo correio aos sócios o jornal nº125 (Setembro 2011) da nossa Casa, que pode ler aqui, em formato pdf. A manchete desta edição é a eleição da constitucionalista Assunção Esteves - trasmontana de Valpaços - para Presidente da Assembleia da República.

quinta-feira, 7 de julho de 2011

MOSAICO DE CIÊNCIA E CULTURA

Foi recentemente publicada uma obra de enorme valor científico e cultural, a colectânea Trás-os-Montes: Mosaico de Ciência e Cultura. Nela colaboram figuras prestigiadas da cultura da nossa região.
A obra vai ser apresentada:
- no dia 14 de Julho, pelas 19 horas na Casa de Trás-os-Montes e Alto Douro de Lisboa;
- no dia 16 de Julho, pelas 15,30 horas, na Casa de Trás-os-Montes do Porto; e
- no dia 10 de Setembro, pelas 18,30 h, na Praça Augusto Moreno, em Lagoaça.
A CTMAD convida os lisboetas - especialmente os trasmontanos -  a estarem presentes na primeira apresentação da obra que ocorrerá na nossa Sede, no Campo Pequeno, 50, 3º Esq., em Lisboa, no próximo dia 14 de Julho, quinta-feira, pelas 19 horas.
A obra será apresentada por três dos seus autores, Adriano Moreira, Almeida Santos e Ernesto Rodrigues. No final do acto de apresentação haverá um convívio onde serão servidos alguns produtos genuínos da nossa região.

sábado, 2 de julho de 2011

sábado, 11 de junho de 2011

O RIO DOURO

Nascido nas arribas castelhanas,
Pelas serras de Urbion, altas montanhas,
Lendárias maravilhas das Espanhas,
Edénicas, sublimes, soberanas...


Para alcançar as terras trasmontanas,
Que às terras de Castela são estranhas,
Corre veloz, usando de mil manhas,
A fim de as separar, sendo hermanas.


O rio, todavia, alturas tantas,
Vencidos precipícios e gargantas,
Flecte à direita e entra em Portugal.


Desvendados mistérios e segredos,
Entre colinas, prenhes de vinhedos,
Desagua, sereno, em Portus Cale.


Cláudio Carneiro

segunda-feira, 16 de maio de 2011

TRANSMONTANICES

Composta por um conjunto de crónicas acompanhadas com desenhos de Graça Morais, Virgílio Gomes trouxe-nos "Transmontanices", uma obra que nos apresenta memórias que evocam aromas, texturas e paladares que Trás-os-Montes guarda para quem com devoção se inicia nos seus encantos.


domingo, 24 de abril de 2011

URRÓS PREPARA PEÇA

O povo de Urrós (Mogadouro) prepara a representação do Auto da criação do Mundo, que subirá ao palco em Agosto e contempla história de Adão e Eva e nascimento de Cristo.


sexta-feira, 3 de dezembro de 2010

VALE DO TUA - Universo virginal de um Reino Maravilhoso

De acordo com o Anúncio nº10853/2010, publicado no Diário da República 2ª série do dia 11 de Novembro, o processo de classificação da linha do Tua como património de interesse nacional foi arquivado, com base num parecer da Secção do Património Arquitectónico e Arqueológico do Conselho Nacional de Cultura. Desconhece-se a fundamentação do parecer. Presume-se, no entanto, que os senhores conselheiros nunca visitaram a região, pois se a tivessem visitado, enxergariam que este “excesso de natureza”* além de ser do interesse nacional, satisfaz em simultâneos vários dos critérios necessários para a classificação como património da humanidade, e não seria de esperar outra coisa, visto que a linha do Tua desagua na linha do Douro, a escassas centenas de metros do local onde se prevê construir a barragem do Tua, numa área, classificada há mais de 10 anos pela UNESCO, justamente, como Património da Humanidade.
Douro e Tua irmanam-se numa mesma realidade desmesurada, na solenidade da paisagem, num “nunca acabar de terra grossa, fragosa, bravia, que tanto se levanta a pino num ímpeto de subir a céu, como se afunda nuns abismos de angústia, não se sabe por que telúrica contrição”, nos costumes, nas crenças, no clima, na rudeza e integridade das gentes. O homem que desbravou os socalcos do Douro é o mesmo que, calço a calço, susteve nesgas de terra, onde estacas de oliveira medram e alumiam a sua árdua existência, cavou os cantos onde laranjeiras perfumam a primavera, construiu uma geia donde brota o néctar que aqui também é vinho fino; é o mesmo que, corajosamente, palmo a palmo, metro a metro rasgou precipícios, transpôs abismos e furou penedos para construir os túneis e assentar os carris que o haviam de ligar ao progresso; é o mesmo que, destemidamente, lavrou um sulco ondulante num despenhadeiro de pedras e laijões, discreta e genuína obra de engenharia, perfeitamente integrada naquele “universo virginal”, naquela “paisagem robusta solene e profunda”, obra conjunta do homem e da natureza, que Miguel Torga sublimemente pintou. Aqui, porém, o degredo é ainda mais espinhoso que no Douro: os murtórios são fragas a pique onde nem as cabras se equilibram, o xisto é granito rude e duro e o rio, selvagem, ainda “corre magoado de cachão em cachão” num zoar permanente que, no Inverno é medonho, mesmo para os mais afoitos.
O vale do Tua, lugar em que homem e natureza se confundem, desde tempos ancestrais, é manifestamente um sítio de beleza natural e estética de excepcional importância, em que a forma genial e harmoniosa como a linha férrea foi integrada na paisagem ilustra a significativa importância que, embora tardiamente, a máquina a vapor e o comboio tiveram na história social e económica de Tras-os-Montes, na metade inicial do século XX. É um sítio em que as pedras evocam memórias longínquas, ainda intactas, de rituais pré-históricos, de povoados visigóticos, mouras encantadas, romanos diligentes e cristãos destemidos.
Por estas e por outras razões, os senhores conselheiros deveriam conhecer ou pelo menos, indagar no local aquilo que importaria conhecer para, serena e sabiamente emitirem o seu douto parecer. Se se tivessem dado ao deleite de visitar este vale e as suas gentes, seguramente, aconchegariam o corpo e a alma e enriqueceriam o ego de sabedorias ancestrais, que é coisa que os senhores conselheiros muito prezam. Mas ainda o podem fazer, depressa, antes que a barragem lhes troque as voltas e lhes aniquile este “universo virginal”. Batam à porta deste “reino maravilhoso” em S. Mamede de Ribatua, saboreiem um naco de bola de carne, acompanhada com as suas afamadas laranjas – de manhã são ouro – visitem o pelourinho e saiam pela ponte romana, contemplem a imponência da paisagem na Penadaia, em que rio, linha e fragas são, ao mesmo tempo, inferno purgatório e paraíso, visitem o caixão dos mouros, os castelos de Safres e dos Barcos, na ténue linha que separava a fronteira entre cristãos e mouros, desçam ao Amieiro, um presépio de casas, oliveiras, laranjeiras e sobreirais, comam e um doce de figos em Carlão, onde nas fragas estão impressos lagares do tempo dos romanos. Depois, atravessem o rio, deliciem-se com um copo de vinho fino, nas margens bucólicas de Brunheda, regenerem o corpo com um banho nas termas de S. Lourenço, deleitem-se com uma alheira estaladiça no Pombal, que é lugar de vinho de primeira e desçam a linha até ao Tua. Apreciem as obras de arte da engenharia oitocentista – viadutos, túneis e muros, suspensos no abismo das fragas más e, mesmo que não tenham a sorte de poderem admirar uma lontra, mirem as nasseiras, onde, antes das barragens do Douro, se apanhavam lampreias, imaginem o gemido das mós, nos moinhos abandonados, inebriem-se com o perfume de carquejas, bela luzes, alecrins e rosmanos que, “como manjericos à janela”, prodigiosamente, brotam de fragas, aparentemente estéreis, e contemplem a majestade dos sobreiros centenários, que, nesta fortaleza de pedras, guardam a linha e o rio. Se tiverem tempo relancem os olhos pelas encostas e, encarrapitados nos abismos descubram antigos armazéns de vinho, abandonados, ainda com lagariça, peso e restos da rabadeira onde encastrava a trave da prensa. Chegados ao Tua, como recompensa, um pratinho de peixes do rio, com pão de Favaios e vinho da Ameda e, claro, mais um cálice de vinho fino, daquele que no estrangeiro apelidam de vinho do Porto, mas que tem berço neste “reino maravilhoso”, prosa de Miguel Torga, de leitura recomendada aos senhores conselheiros.
Por fim, passem pelos adros das igrejas, no fim da missa, e falem, mas, sobretudo, ouçam, ouçam as gentes da terra e então verão que ainda há reinos maravilhosos que merecem ser estudados, conhecidos, acarinhado e preservados: “O que é preciso, para os ver é que os olhos não percam a virgindade original diante da realidade, e o coração depois não hesite.”
Depois, sim, elaborem o vosso douto parecer.
Texto: João Zimbreiro, com a ajuda de Miguel Torga



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*Alexandre Herculano

terça-feira, 30 de novembro de 2010

Petição pela linha do Tua entregue hoje no parlamento

O movimento de defesa da linha do Tua vai entregar hoje, na Assembleia da República, uma petição com 4500 assinaturas a pedirem a reabertura da ferrovia transmontana e a reativação do troço até Bragança.
Recorde-se que o procedimento de classificação da linha do Tua, como património de interesse nacional, foi recentemente arquivado ( Anúncio nº10853/2010 , publicado no Diário da República, 2ª série, de 11 de Novembro).
Linha do Tua, entre Santa Luzia e o Tua (Foto: Jorge Camera)

domingo, 28 de novembro de 2010

Obras de Graciete Nobre online

A revista TriploV publicou online as peças  Aldeia das Cavernas e O Alarme, de Graciete Nobre, que aconselhamos vivamente.
Graciete Nobre é autora de várias obras literárias, nomeadamente das peças A Estalagem, A Ilha das Cruzes, The Inn* e do livro Imaginália (Editora Luz das Letras).


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* Veja aqui.

sábado, 20 de novembro de 2010

Dia 25, na CTMAD: Sessão sobre João Araújo Correia

Numa conversa a dois, entre António José Borges e João Bigotte Chorão, falar-se-á de um dos mais importantes escritores da Literatura Portuguesa de qualidade: João de Araújo Correia, destacado contista, cronista e epistológrafo português do século XX.
João de Araújo Correia nasceu em Canelas do Douro no dia 1 de Janeiro de 1899. Viveu quase toda a sua vida no Peso da Régua, onde exerceu a sua actividade de médico de profissão e de escritor por vocação, como dizia. Faleceu no Peso da Régua no dia 31 de Dezembro de 1985.
Este notável autor deixou-nos dez livros de contos, quatro novelas, oito livros de crónicas, dezassete títulos diversos e um livro de poesia. A Imprensa Nacional – Casa da Moeda está a reeditar a sua obra completa (ficção). Sendo um autor de difícil rotulagem, João de Araújo Correia insere-se na linhagem de escritores do Século XX português que pediram águas a Camilo Castelo Branco, Trindade Coelho ou Fialho de Almeida, entre outros, e que a par de um Aquilino Ribeiro, um Domingos Monteiro ou um Miguel Torga influenciaram outros autores contemporâneos, como Mário Cláudio ou Agustina Bessa-Luís, também entre outros.
Esta sessão na Casa de Trás-os-Montes e Alto Douro visa, então, dignificar mais um autor português, consciente e iluminado, que se quer maior no panorama da Literatura Portuguesa do século XX.

Lisboa, 15 de Novembro de 2010

António José Borges

domingo, 10 de outubro de 2010

Viver, Defender e Divulgar Transmontaneidade e Transmontanismo

É com prazer e honra que os Órgãos Sociais da Casa de Trás-os-Montes e Alto Douro convidam os trasmontanos, familiares e Amigos, para a Sessão Solene de lançamento do livro "Viver, Defender e Divulgar Transmontaneidade e Transmontanismo" da autoria do ilustre consócio e ex-dirigente, Tomaz R. do Espírito Santo.

Fará a apresentação do Autor, o Prof. Doutor Adriano Moreira, às 19:00 horas do dia 15 de Outubro, no Palácio Galveias, perto da nossa Sede, ao Campo Pequeno, em Lisboa.

N. B. – Será servido um jantar evocativo da culinária regional para quem se inscrever até às 16 horas o dia 12, ligando para a sede: 21 793 93 11 ou por e-mail: ctmad.lisboa@gmail.com

domingo, 5 de setembro de 2010

Douro Film Harvest de 5 a 11 de Setembro

A segunda edição do Douro Film Harvest arranca hoje, no Teatro Ribeiro Conceição, em Lamego. A Cerimónia de Abertura estreia a produção moçambicana "O Último Voo do Flamingo", marcando presença o realizador João Ribeiro e o produtor duriense Luís Galvão Teles. Olga Diegues e José Fidalgo são os anfitriões. Os bilhetes estão à venda no valor de 3€.

terça-feira, 20 de julho de 2010

Nadir Doutor Honoris Causa

O pintor Nadir Afonso, flaviense ilustre e associado da Casa de Trás-os-Montes e Alto Douro, vai receber o Doutoramento Honoris Causa pela Universidade Lusíada de Lisboa.

A cerimónia terá lugar hoje, 20 de Julho, terça-feira, numa sessão com início às 16 horas, que decorrerá no Auditório 3 dessa Universidade, situada na Rua da Junqueira, nº 188 – 198, em Lisboa, convidando-se os associados da Casa e os trasmontanos em geral a comparecer.

sexta-feira, 4 de junho de 2010

Graça Morais no Palácio Anjos durante o Verão

No Centro de Arte Manuel de Brito*, Graça Morais expõe, de 29 de Maio a 19 de Setembro, em 68 obras, duas décadas do seu percurso criativo.

*CAMB - Centro de Arte Manuel de Brito
Palácio Anjos, Algés - Alameda Armando Patrone
Tel. 21 4111400 - camb@cm-oeiras.pt

Veja a propósito desta exposição o artigo do DN, de 2010.08.28, de Joana Emídio Marques.

terça-feira, 25 de maio de 2010

Academia de Letras de Trás-os-Montes já no próximo mês

Foi anunciado, pelo presidente da Câmara Municipal de Bragança, o projecto de constituição da Academia de Letras. O município quer congregar um conjunto de naturais da terra com obra reconhecida a nível nacional, na Academia de Letras de Trás-os-Montes.
Na abertura da Mascararte, em Dezembro 2009, Jorge Nunes disse que estava a trabalhar essa ideia e esse projecto no sentido de agregar à volta de uma instituição um conjunto muito significativo de escritores da região de Bragança, que, através da escrita, têm firmado a identidade da sua terra, têm feito um percurso notável, um percurso único na área das letras da investigação.
O presidente da Câmara Municipal de Bragança explicou, então, que esta poderá ser uma oportunidade de reconhecer o trabalho dessas pessoas e de elas se encontrarem para pensarem a região e projectarem nessa reflexão, também o país, o presente e o futuro.
A apresentação da Academia de Letras de Trás-os-Montes - cujos estatutos já estão prontos e pode ver aqui - está prevista para o próximo dia 12 de Junho, na XXI Feira do Livro de Bragança*.

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*Veja o programa da feira aqui.

quinta-feira, 20 de maio de 2010

O rio Douro

Nascido nas arribas castelhanas,
Pelas serras de Urbion, altas montanhas,
Lendárias maravilhas das Espanhas,
Edénicas, sublimes, soberanas...

Para alcançar as terras trasmontanas,
Que às terras de Castela são estranhas,
Corre veloz, usando de mil manhas,
A fim de as separar, sendo hermanas.

O rio, todavia, alturas tantas,
Vencidos precipícios e gargantas,
Flecte à direita e entra em Portugal.

Desvendados mistérios e segredos,
Entre colinas, prenhes de vinhedos,
Desagua, sereno, em Portus Cale.

Cláudio Carneiro

sexta-feira, 14 de maio de 2010

Papa Bento XVI reúniu com mundo da cultura

No Centro Cultural de Belém, Sua Santidade o Papa Bento XVI reuniu, dia 12 de Maio 2010, às 10:05, com mais de 1500 personalidades lusas do mundo da cultura.



Leia a intervenção do Santo Padre:

Venerados Irmãos no Episcopado,
Distintas Autoridades,
Ilustres Cultores do Pensamento, da Ciência e da Arte,
Queridos amigos,

Sinto grande alegria em ver aqui reunido o conjunto multiforme da cultura portuguesa, que vós tão dignamente representais: Mulheres e homens empenhados na pesquisa e edificação dos vários saberes. A todos testemunho a mais alta amizade e consideração, reconhecendo a importância do que fazem e do que são. Às prioridades nacionais do mundo da cultura, com benemérito incentivo das mesmas, pensa o Governo, aqui representado pela Senhora Ministra da Cultura, para quem vai a minha deferente e grata saudação. Obrigado a quantos tornaram possível este nosso encontro, nomeadamente à Comissão Episcopal da Cultura com o seu Presidente, Dom Manuel Clemente, a quem agradeço as expressões de cordial acolhimento e a apresentação da realidade polifónica da cultura portuguesa, aqui representada por alguns dos seus melhores protagonistas, de cujos sentimentos e expectativas se fez porta-voz o cineasta Manoel de Oliveira, de veneranda idade e carreira, a quem saúdo com admiração e afecto juntamente com vivo reconhecimento pelas palavras que me dirigiu, deixando transparecer ânsias e disposições da alma portuguesa no meio das turbulências da sociedade actual.

De facto, a cultura reflecte hoje uma «tensão», que por vezes toma formas de «conflito», entre o presente e a tradição. A dinâmica da sociedade absolutiza o presente, isolando-o do património cultural do passado e sem a intenção de delinear um futuro. Mas uma tal valorização do «presente» como fonte inspiradora do sentido da vida, individual e em sociedade, confronta-se com a forte tradição cultural do Povo Português, muito marcada pela milenária influência do cristianismo, com um sentido de responsabilidade global, afirmada na aventura dos Descobrimentos e no entusiasmo missionário, partilhando o dom da fé com outros povos. O ideal cristão da universalidade e da fraternidade inspiravam esta aventura comum, embora a influência do iluminismo e do laicismo se tivesse feito sentir também. A referida tradição originou aquilo a que podemos chamar uma «sabedoria», isto é, um sentido da vida e da história, de que fazia parte um universo ético e um «ideal» a cumprir por Portugal, que sempre procurou relacionar-se com o resto do mundo.

A Igreja aparece como a grande defensora de uma sã e alta tradição, cujo rico contributo coloca ao serviço da sociedade; esta continua a respeitar e a apreciar o seu serviço ao bem comum, mas afasta-se da referida «sabedoria» que faz parte do seu património. Este «conflito» entre a tradição e o presente exprime-se na crise da verdade, pois só esta pode orientar e traçar o rumo de uma existência realizada, como indivíduo e como povo. De facto, um povo, que deixa de saber qual é a sua verdade, fica perdido nos labirintos do tempo e da história, sem valores claramente definidos, sem objectivos grandiosos claramente enunciados. Prezados amigos, há toda uma aprendizagem a fazer quanto à forma de a Igreja estar no mundo, levando a sociedade a perceber que, proclamando a verdade, é um serviço que a Igreja presta à sociedade, abrindo horizontes novos de futuro, de grandeza e dignidade. Com efeito, a Igreja «tem uma missão ao serviço da verdade para cumprir, em todo o tempo e contingência, a favor de uma sociedade à medida do ser humano, da sua dignidade, da sua vocação. […] A fidelidade à pessoa humana exige a fidelidade à verdade, a única que é garantia de liberdade (cf. Jo 8, 32) e da possibilidade dum desenvolvimento humano integral. É por isso que a Igreja a procura, anuncia incansavelmente e reconhece em todo o lado onde a mesma se apresente. Para a Igreja, esta missão ao serviço da verdade é irrenunciável» (Bento XVI, Enc. Caritas in veritate, 9). Para uma sociedade composta na sua maioria por católicos e cuja cultura foi profundamente marcada pelo cristianismo, é dramático tentar encontrar a verdade sem ser em Jesus Cristo. Para nós, cristãos, a Verdade é divina; é o «Logos» eterno, que ganhou expressão humana em Jesus Cristo, que pôde afirmar com objectividade: «Eu sou a verdade» (Jo 14, 6). A convivência da Igreja, na sua adesão firme ao carácter perene da verdade, com o respeito por outras «verdades» ou com a verdade dos outros é uma aprendizagem que a própria Igreja está a fazer. Nesse respeito dialogante, podem abrir-se novas portas para a comunicação da verdade.

«A Igreja – escrevia o Papa Paulo VI – deve entrar em diálogo com o mundo em que vive. A Igreja faz-se palavra, a Igreja torna-se mensagem, a Igreja faz-se diálogo» (Enc. Ecclesiam suam, 67). De facto, o diálogo sem ambiguidades e respeitoso das partes nele envolvidas é hoje uma prioridade no mundo, à qual a Igreja não se subtrai. Disso mesmo dá testemunho a presença da Santa Sé em diversos organismos internacionais, nomeadamente no Centro Norte-Sul do Conselho da Europa instituído há 20 anos aqui em Lisboa, tendo como pedra angular o diálogo intercultural a fim de promover a cooperação entre a Europa, o Sul do Mediterrâneo e a África e construir uma cidadania mundial fundada sobre os direitos humanos e as responsabilidades dos cidadãos, independentemente da própria origem étnica e adesão política, e respeitadora das crenças religiosas. Constatada a diversidade cultural, é preciso fazer com que as pessoas não só aceitem a existência da cultura do outro, mas aspirem também a receber um enriquecimento da mesma e a dar-lhe aquilo que se possui de bem, de verdade e de beleza.

Esta é uma hora que reclama o melhor das nossas forças, audácia profética, capacidade renovada de «novos mundos ao mundo ir mostrando», como diria o vosso Poeta nacional (Luís de Camões, Os Lusíadas, II, 45). Vós, obreiros da cultura em todas as suas formas, fazedores do pensamento e da opinião, «tendes, graças ao vosso talento, a possibilidade de falar ao coração da humanidade, de tocar a sensibilidade individual e colectiva, de suscitar sonhos e esperanças, de ampliar os horizontes do conhecimento e do empenho humano. […] E não tenhais medo de vos confrontar com a fonte primeira e última da beleza, de dialogar com os crentes, com quem, como vós, se sente peregrino no mundo e na história rumo à Beleza infinita» (Discurso no encontro com os Artistas, 21/XI/2009).

Foi para «pôr o mundo moderno em contacto com as energias vivificadoras e perenes do Evangelho» (João XXIII, Const. ap. Humanae salutis, 3) que se fez o Concílio Vaticano II, no qual a Igreja, a partir de uma renovada consciência da tradição católica, assume e discerne, transfigura e transcende as críticas que estão na base das forças que caracterizaram a modernidade, ou seja, a Reforma e o Iluminismo. Assim a Igreja acolhia e recriava por si mesma, o melhor das instâncias da modernidade, por um lado, superando-as e, por outro, evitando os seus erros e becos sem saída. O evento conciliar colocou as premissas de uma autêntica renovação católica e de uma nova civilização – a «civilização do amor» - como serviço evangélico ao homem e à sociedade.

Caros amigos, a Igreja sente como sua missão prioritária, na cultura actual, manter desperta a busca da verdade e, consequentemente, de Deus; levar as pessoas a olharem para além das coisas penúltimas e porem-se à procura das últimas. Convido-vos a aprofundar o conhecimento de Deus tal como Ele Se revelou em Jesus Cristo para a nossa total realização. Fazei coisas belas, mas sobretudo tornai as vossas vidas lugares de beleza. Interceda por vós Santa Maria de Belém, venerada há séculos pelos navegadores do oceano e hoje pelos navegantes do Bem, da Verdade e da Beleza.



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