quarta-feira, 14 de abril de 2010

Marta Sosa, um trasmontano na Academia

Joaquin Marta Sosa, nascido em Nogueira (Bragança)em 1940,a viver na Venezuela,foi eleito membro da Academia Venezolana de la Lengua, sendo o primeiro que não tem o castelhano como língua materna.
O seu primeiro livro Anunciación apareceu em 1964. Desde então publicou uma dezena de obras, das quais se destacam Oscuro sol de los puertos (1998) e Territorios Privados (1999), com que foi galardadoado no Prémio de Literatura del Ayuntamiento de Caracas. Mais recentemente publicou Las manos del viento (2001) e El rio solitario (2004). Um ano mais tarde reuniu toda a sua obra poética de 1964 a 2004 sob o título Los barcos de la memoria. É responsável por antologias como Navegación de tres siglos, Antologia basica de la poesia venezolana 1826/2002 (2003) e Poetas e Poéticas de Venezuela (2004).
A poesia de Joaquín Marta Sosa destaca-se, nas palavras de Rafael Arráiz Lucca pela "síntesis alcanzada entre la pulsión narrativa y una muy decantada expresión lírica". Em Amares - a sua obra mais recente - a memória consubstancia-se no território particular do diálogo maduro com a mulher amada e na sua presença como espaço de vida.
Veja a entrevista concedida, em 6 de Março 2009, ao Asturias Opinión, em que o escritor também fala da sua terra.


quinta-feira, 1 de abril de 2010

XXVI PRÉMIO DE POESIA CIDADE DE OURENSE

Uma vez mais a Cidade de Ourense promove o seu Prémio de Poesia, destinado a originais em Galego e Português. O vencedor arrecadará a quantia de 6.000 euros e verá a sua obra publicada.

O prazo de entrega de originais (que, para os poetas portugueses, poderá ser feita na Câmara Municipal de Vila Real) termina no dia 30 de Abril de 2010.

Os interessados no concurso poderão solicitar as bases ao Grémio Literário Vila-Realense, através do endereço gremio@cm-vilareal.pt ou pelo telefone 259 303 083.

terça-feira, 23 de fevereiro de 2010

Homenagem a Escritores de Barroso

É com vivo entusiasmo que o informamos da homenagem aos nossos amigos e escritores transmontanos Dr. Bento da Cruz, Dr. João Barroso da Fonte e Padre Lourenço Fontes na nossa Casa no dia 26, sexta-feira, pelas 18 horas.

Acontece que estes nossos queridos amigos fazem anos entre 19 e 22 de Fevereiro. Além disso o Dr. Bento da Cruz acaba de assinalar os seus cinquenta anos de vida literária; o Dr. Barroso da Fonte e o Padre Lourenço Fontes viram agora completado um perfil biográfico sobre as suas vidas e obras.

Como expressão de amizade, gratidão e carinho resolvemos organizar uma cerimónia com os seus amigos transmontanos e alto-durienses a residir em Lisboa, num encontro de proximidade, partilha, convívio e reconhecimento do seu trabalho criativo, exortando-os a continuar a dar o testemunho de um tempo e de uma terra que Miguel Torga consagrou como “ Um Reino maravilhoso”.

Na ocasião os autores falam da sua obra e no final tem lugar uma refeição ligeira para quem o solicitar até à véspera.

No sábado, dia 27, sábado, pelas 12h, vai decorrer um Almoço Transmontano no Restaurante Quinta Antiga.

Contamos também com a sua honrosa presença e aguardamos a respectiva reserva para este evento.

A Direcção da CTMAD

segunda-feira, 25 de janeiro de 2010

SOBRE O LANÇAMENTO DO LIVRO “CORRESPONDÊNCIA – 1873/1908”

Organização, leitura e notas Hirondino Fernandes,

Bragança, Brigantia, 2008-2009.

A publicação da Correspondência de Trindade Coelho, publicada no final de 2009, é um dos mais interessantes acontecimentos literários dos últimos tempos. Oferece um texto fascinante pela beleza da escrita e pela sua riqueza documental.

Hirondino da Paixão Fernandes (o mais erudito de todos os transmontanos) coligiu, leu e anotou, num opulento volume, 511 missivas escritas por Trindade Coelho, entre 1873 e 1908. Estas cartas preenchem quase todo o percurso existencial do autor (desde os 12 anos até ao fim da vida) e dão testemunho do seu relacionamento com cerca de uma centena de destinatários, entre os quais se encontra um amplo leque dos mais ilustres vultos do horizonte literário e cultural português daquele tempo.

A correspondência está organizada e distribuída por ordem cronológica e vem acrescentada com índices exaustivos de lugares, pessoas e assuntos, que facilitam a procura dos aspectos que mais podem interessar a cada leitor.

Percorrendo toda a obra são muitos e bons os motivos que tornam particularmente gratificante a sua leitura.

Salientam-se, pela sua extensão e importância, as 67 cartas de intenso dramatismo emocional dirigidas à lusitanista alemã Luísa EY (um romance-verdade mais bem escrito do que muitos romances epistolares);

A reflexão apaixonada sobre a educação e a política educativa, a discussão crítica e teorética sobre a escrita e a literatura são aspectos que documentam, com grande autenticidade, a conjuntura histórica da época, e que manifestam um raro sentido crítico, uma dimensão cívica, e um vigor intelectual admiráveis. Trindade Coelho foi um grande escritor e um homem sério que cultivou a liberdade e que praticou e defendeu a justiça.

Finalmente, a correspondência revela um transmontano amante da sua terra e da sua gente, generoso para com os seus conterrâneos, e com uma fervorosa vinculação do escritor e da sua criatividade literária às raízes do saudoso pátrio lar.


#Telmo Verdelho

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CURRICULUM VITAE

Telmo Verdelho (1943/11/1).

1.1. Licenciatura em Filologia Românica; doutoramento em Linguística Portuguesa, agregação em História da Língua.

1.3. Professor Catedrático (Universidade de Aveiro) aposentado.

1.4. Actividade docente

— Universidade de Aveiro (1977 — 2007)

— Bolseiro do Governo Francês (1980-84) na Universidade de Paris IV (Sorbonne).

— "Chargé de conférences", na Ecole Pratique des Hautes Etudes, em Paris, (1984).

— Professor Convidado, na Universidade de Paris IV (Sorbonne) (1991/92).

— Professor Visitante na Universidade de Santiago de Compostela em 2000/2001

— Professor Convidado na Universidade da Corunha (2004/2005).

1.5. Participou em várias dezenas de encontros científicos com apresentação de comunicações; integrou muitos júris de concursos e de provas académicas, e orientou e continua a orientar teses de doutoramento e de mestrado nas áreas da linguística, da filologia e da história da cultura.

1.6. Coordenou vários projectos de investigação, o último dos quais, financiado pela FCT, sob a referência de “Corpus” Lexicográfico do Português", mantém na Internet um portal com a abundante informação sobre os dicionários e a lexicografia portuguesa.

1.7. Foi distinguido com o primeiro prémio da Sociedade de Língua Portuguesa e Instituto do Livro (1981)



Principais publicações:



Além de inúmeros artigos versando temas da sua especialidade, publicou os seguintes livros:

As Palavras e as Ideias na Revolução Liberal de 1820. Coimbra, INIC, 1981.

Índice reverso de "Os Lusíadas". Coimbra, Biblioteca Geral da Universidade, 1981.

As origens da gramaticografia e da lexicografia latino-portuguesas. Aveiro, INIC, 1995.

Dicionarística portuguesa: inventariação e estudo do patrimómio lexicográfico. (em colaboração com João Paulo Silvestre, Aveiro: Universidade de Aveiro, 2007.

O encontro do português com as línguas não europeias, exposição de textos interlinguísticos. Lisboa, Biblioteca Nacional de Portugal, 2008.

sábado, 23 de janeiro de 2010

Mais uma exposição de pintura na sede

José Augusto Coelho, brindou-nos mais uma vez com as suas telas, nas quais e através das quais, ele plasma reminiscências que lhe advêm dum passado espaço-temporal que não renega. Bem pelo contrário, faz gala em trazê-las para o presente, em impô-las ao nosso olhar, em embrenhá-las na nossa sensibilidade.
Desde as puídas botas do avô, no quadro “Páginas da Vida” aos verdes e amarelos de vários outros quadros que lhe devem povoar as cearas e as várzeas da saudade, José Augusto Coelho está indelevelmente ligado à terra que o viu nascer e às terras que o formaram.
Daí que a sua pintura, muitas vezes onírica, não deixe de ser límpida, bucólica, romântica e terrena, naquilo que estas expressões têm de mais sincero, de mais enraizado, de mais sensível, de mais material.
Utilizando frequentemente técnicas mistas, como o óleo e o acrílico, e também aqui, simbolicamente, o passado e o presente, somos, perante muitos dos seus quadros, levados a concluir que estando perante uma pintura não susceptível de etiquetagem simplista, não conseguimos discernir se estamos perante uma pintura abstractamente concreta, como uma ou outra tela nos querem transmitir ou se ela é concretamente abstracta como outra ou outra além nos querem fazer deduzir.
#José Luís Castor

terça-feira, 24 de novembro de 2009

Planalto !...

Imenso aquele planalto de ouro, dourado, que o rio
Corta em profunda garganta, descuidada, tão rochosa!..
Lá brotou, num fraguedo agreste, a mais bela rosa,
Que o Sol aqueceu e o orvalho aveludou frio!...

Era já Outono!... envolta pelo Sol, reluzente manto,
Que a vidraça deixa ver numa esquina da vida,
Aquela rosa vermelha, era já mais bela e florida,
Como florido era na minha alma aquele recanto!...

Pétalas de veludo, tão vermelhas, de fino traço,
De onde um perfume exala e sobe no espaço,
Que Cupido, passando, na aljava todo recolheu!...

Olhos que te viram deleitados suspensos na vidraça,
Recebem um raio de fogo, de um olhar que embaraça!...
Lançando-o contra um peito, onde a rosa floresceu!!....


JoséAgostinhoFins
Agrochão - Vinhais
(fins.707@gmail.com)

segunda-feira, 26 de outubro de 2009

Linha do Tua, património por classificar

O desenvolvimento da região trasmontana tem passado pelas vias férreas e pelos vales dos rios onde foram construídas: Sabor, Tua e Corgo.

As obras da linha do Tua começaram há 125 anos. Actualmente está em risco de ser submersa pela barragem.

Eis uma cronologia da sua vida, até ao fim do século passado:

16 de Outubro de 1884 - Arranque das obras da via, em Mirandela. Depois de pouco tempo, o engenheiro é forçado a desistir, ao não revelar firmeza para a liderança da força de trabalho conflituosa, e ao mesmo tempo dirigir a obra, que revelava ser um desafio enorme. É substituído pelo açoreano Dinis da Mota, cuja assinatura passaria ainda pela Linha do Dão.

27 de Outubro de 1887 - Inauguração da Linha do Tua, entre o Tua e Mirandela, com a locomotiva Trás-os-Montes, tripulada pelo engenheiro Dinis da Mota. D. Luís I e o Príncipe Real compareceram às concorridas cerimónias na estação de Mirandela.

1899 - Reorganização dos Caminhos de Ferro em Portugal, e criação do Fundo Especial dos Caminhos de Ferro, que possibilitou um relembrar do reatamento das obras rumo a Bragança.

1901 - Uma firma inglesa mostra interesse em construir o troço Mirandela - Bragança, e ainda um ramal de ligação às minas de Vimioso, mas o processo não avança e cai rapidamente no esquecimento.

24 de Março de 1902 - É firmado um contrato provisório de construção com aquele que ficaria celebrizado numa estela na estação de Bragança, e com a avenida que começa neste edifício, como o "arrojado empreiteiro do caminho-de-ferro Mirandela-Bragança", João da Cruz.

20 de Julho de 1903 - A CN, depois de João da Cruz, pela dimensão da obra, lhe ter trespassado o contrato de construção, e depois de uma reunião promovida pela CM Bragança, onde figurou o incansável patrono da Linha do Tua Conselheiro Abílio Beça, relança a construção final da via para Bragança. João da Cruz será o engenheiro-chefe e empreiteiro da obra; virá a falir com este esforço.

02 de Agosto de 1905 - O Comboio chega ao Romeu.

15 de Outubro de 1905 - O Comboio chega a Macedo de Cavaleiros.

18 de Dezembro de 1905 - O Comboio chega a Sendas.

14 de Agosto de 1906 - O Comboio chega a Rossas.

01 de Dezembro de 1906 - O Comboio chega a Bragança. Bragança não é estação de topo, mas as obras acabam para não mais serem reatadas, de modo a levar a Linha do Tua até à Puebla de Sanábria [Espanha].

27 de Abril de 1910 - Morre na estação de Salsas o Conselheiro Abílio Beça, trucidado pelo comboio que tão incansavelmente tinha lutado para trazer à capital de distrito.

Década de 1940 - A Linha do Tua passa para a CP.

15 de Dezembro de 1991 - Encerramento do troço Mirandela - Macedo de Cavaleiros. Entram em funcionamento autocarros de substituição para transbordo, deixando o troço Macedo de Cavaleiros - Bragança isolado do resto da Linha do Tua.