quinta-feira, 25 de setembro de 2008

A CTMAD também é teatro

por Serafim Falcão

Vamos escrever à transmontana: como "filhos do granito, nosso pai e da terra nossa mãe", como " irmãos do sol e do vento". Com a robustez e frondosidade do castanheiro, a aspereza do seu ouriço fechado, mas também com a sua generosidade e abertura; com a rigidez granítica da cepa da urze e da torga que, outrora, na frágua, amaciava e temperava o ferro; com a frontalidade das altas montanhas, que nos tornam ágeis e enérgicos e cujas vertentes, aparentemente, desenhadas no rosto, desaparecem, ao primeiro impacto humano.

A CTMAD não é só sardinha assada, magusto e fumeiro, Douro, Porca de Murça e Valpaços, elementos que fazem parte dos nossos genes. É também, e felizmente com frequência, exaltação dos nossos valores, exaltação e elogio das nossas personalidades e gentes, o dar conhecimento dos nossos e não só nossos escritores, bem como a divulgação das suas obras, cuja casa se tem mostrado pequena para a assídua e viva assistência.

É também, ultimamente, esforço e objectivo da nova Direcção " reactivar o mais possível o Conselho Regional."

Todavia, ainda não é Teatro, embora exista o Grupo de Teatro, há três anos, ressuscitado, animado e levado a palco, pelo nosso sócio Fernando Marinho. Fez a sua apresentação e divulgação na Junta de Freguesia de S.João de Brito com poesia e leitura de extractos da peça, em três actos, "Casa de Pais"de Francisco Ventura que, depois, levou a Palco, durante três dias, no Auditório Carlos Paredes da Junta de Freguesia de Benfica e um dia, no Salão dos Bombeiros Voluntários de Queluz. Os Cenários foram pintados por um casal, actores, que nem transmontanos são, e transportados, montados e desmontados com a ajuda do próprio Grupo. Acontecendo o mesmo, na recente apresentação, durante dois dias, no mesmo Auditório, das Peças " O Doido e a Morte" de Raul Brandão e "Uma Anedota" de Marcelino Mesquita.

Se agradecemos a presença simpática e estimulante de alguns elementos da Direcção bem como de poucos sócios, lamentamos a ausência dos outros, apesar de, ao contrário das outras representações, haver abundante publicidade, inúmeros panfletos, no nosso Jornal, na Agenda Cultural da Cidade, na Internete. - As Festas da Cidade..... - E o que é nosso, não conta?

Alguém disse que "o Teatro não dá dinheiro". E eu escrevi: "Quem assim fala não é transmontano". Será que é?

Espero que as minha linhas talvez azedas como os azedões e as acelgas, acres como as arrabaças, sejam recebidas com o aconchego, a humildade verdejante e fresca da meruja, quatro elementos da Nossa Terra, a que eu chamo acepipes, manjares ou mesmo especiarias frescas da mesa transmontana que ainda falta desenvolver e divulgar. Transmontanos e respectivos amigos, venham ao TEATRO.

quinta-feira, 22 de maio de 2008

TEATRO DA CTMAD EM BENFICA

14 Junho 21:30

e
15 Junho 17:00
AUDITÓRIO CARLOS PAREDES
GRUPO DE TEATRO
DA
CTMAD
Apresenta

"O Doido e a Morte"
de Raúl Brandão
Personagens
Senhor Milhões - Fernando Marinho
Governador Civil - Serafim Falcão
D. Ana B. Moscoso - Mafalda Sofia
Nunes - Sérgio Reis

"A Anedota"
de Marcelino Mesquita
Personagens
Director - Serafim Falcão
Rapaz - Carla Sofia
Empregado - Sérgio Reis

"Os Malefícios do Tabaco"
de Anton Tchekov
Personagens
Conferencista - Fernando Marinho
Apoio – Junta Freguesia Benfica – Livrarte, Livros e Artes-Remar-CTMAD



O Grupo de Teatro da Casa de Trás-os-Montes e Alto Douro comemorou, em Março último, dois anos de existência.

É este Grupo formado por elementos das mais diversas profissões e escalões etários, mas todos irmanados de força de vontade e dignidade teatral.
Participou o Grupo em vários eventos e tertúlias poéticas, apoiando organizações humanitárias e instituições sem fins lucrativos.
Tendo como organizador, actor e encenador Fernando Marinho, foi com muita dignidade que o Grupo representou a peça “Casa de Pais”, de Francisco Ventura, com grande adesão do público onde se apresentou.
Dando continuidade ao seu trabalho, vai o Grupo apresentar nos dias 14 de Junho às 21:30 e 15 de Junho (Domingo) 2008, pelas 17:00 h, no Auditório Carlos Paredes, em Benfica, três peças: O DOIDO E A MORTE de Raúl Brandão, UMA ANEDOTA de Marcelino Mesquita e MALEFÍCIOS DO TABACO DE Anton Tchekov.



quinta-feira, 24 de maio de 2007

CASA DE PAIS

CASA DE PAIS foi escrita na Primavera de 1940 e entregue, nesse mesmo ano, no Teatro Nacional de D. Maria II.
Submetida, em 1945, à apreciação da Comissão de Leitura do mesmo Teatro, e classificada, subiu à cena em 30 de Abril de 1945. Em 1956 foi adaptada à rádio e transmitida pela Emissora Nacional.
Adaptada também à televisão, a sua transmissão verificou-se na noite de 1 de Agosto de 1960, repetindo-se em 3 de Outubro do mesmo ano, devido a insistentes pedidos do público. Pelo mesmo motivo, voltou a ser transmitida em 7 de Março de 1963, incluída nas festas de aniversário da Rádiotelevisão Portuguesa.
Em 23 de Setembro de 1956, em récita promovida pelo Círculo de Divulgação do Teatro português, serviu para inaugurar o Teatro de Gavião, terra natal do autor.
Desde a sua estreia, tem sido largamente representada por inúmeros agrupamentos, experimentais e de amadores, em todo o país.


SINOPSE DA PEÇA

De várias gerações familiares, quando o pai chegava a idade avançada, eram desprezados pelos filhos, postos ao abandono e obrigados a ir pedir esmola. Esta peça situa uma dessas famílias.

O pai foi obrigado, por dois filhos e uma pérfida nora, a vender todos os seus bens.

De idade avançada e sem forças o pretenderam pôr ao abandono. Porém, um dos filhos solteiro não o permitia. Várias lutas verbais com os outros irmãos mais velhos, e lutando para que fosse permitido um namoro contrariado pela mãe de sua amada, conseguiu vencer o mal pelo bem, fez com que terminasse a maldita tradição, acabando todos por pedir perdão ao pai e assim ficarem todos felizes.