segunda-feira, 26 de outubro de 2009

Linha do Tua, património por classificar

O desenvolvimento da região trasmontana tem passado pelas vias férreas e pelos vales dos rios onde foram construídas: Sabor, Tua e Corgo.

As obras da linha do Tua começaram há 125 anos. Actualmente está em risco de ser submersa pela barragem.

Eis uma cronologia da sua vida, até ao fim do século passado:

16 de Outubro de 1884 - Arranque das obras da via, em Mirandela. Depois de pouco tempo, o engenheiro é forçado a desistir, ao não revelar firmeza para a liderança da força de trabalho conflituosa, e ao mesmo tempo dirigir a obra, que revelava ser um desafio enorme. É substituído pelo açoreano Dinis da Mota, cuja assinatura passaria ainda pela Linha do Dão.

27 de Outubro de 1887 - Inauguração da Linha do Tua, entre o Tua e Mirandela, com a locomotiva Trás-os-Montes, tripulada pelo engenheiro Dinis da Mota. D. Luís I e o Príncipe Real compareceram às concorridas cerimónias na estação de Mirandela.

1899 - Reorganização dos Caminhos de Ferro em Portugal, e criação do Fundo Especial dos Caminhos de Ferro, que possibilitou um relembrar do reatamento das obras rumo a Bragança.

1901 - Uma firma inglesa mostra interesse em construir o troço Mirandela - Bragança, e ainda um ramal de ligação às minas de Vimioso, mas o processo não avança e cai rapidamente no esquecimento.

24 de Março de 1902 - É firmado um contrato provisório de construção com aquele que ficaria celebrizado numa estela na estação de Bragança, e com a avenida que começa neste edifício, como o "arrojado empreiteiro do caminho-de-ferro Mirandela-Bragança", João da Cruz.

20 de Julho de 1903 - A CN, depois de João da Cruz, pela dimensão da obra, lhe ter trespassado o contrato de construção, e depois de uma reunião promovida pela CM Bragança, onde figurou o incansável patrono da Linha do Tua Conselheiro Abílio Beça, relança a construção final da via para Bragança. João da Cruz será o engenheiro-chefe e empreiteiro da obra; virá a falir com este esforço.

02 de Agosto de 1905 - O Comboio chega ao Romeu.

15 de Outubro de 1905 - O Comboio chega a Macedo de Cavaleiros.

18 de Dezembro de 1905 - O Comboio chega a Sendas.

14 de Agosto de 1906 - O Comboio chega a Rossas.

01 de Dezembro de 1906 - O Comboio chega a Bragança. Bragança não é estação de topo, mas as obras acabam para não mais serem reatadas, de modo a levar a Linha do Tua até à Puebla de Sanábria [Espanha].

27 de Abril de 1910 - Morre na estação de Salsas o Conselheiro Abílio Beça, trucidado pelo comboio que tão incansavelmente tinha lutado para trazer à capital de distrito.

Década de 1940 - A Linha do Tua passa para a CP.

15 de Dezembro de 1991 - Encerramento do troço Mirandela - Macedo de Cavaleiros. Entram em funcionamento autocarros de substituição para transbordo, deixando o troço Macedo de Cavaleiros - Bragança isolado do resto da Linha do Tua.



quarta-feira, 16 de setembro de 2009

Surpresa!...

Surpresa!!?... qual onda plásmica de luz, que meus sentidos

Tocou todos tão intensos!... e me lançando no espaço

Como à procura daquele todo tempo infinito, do teu abraço,

Do teu corpo, onde ecoando ainda que surdos os gemidos!...


Prolongaste-me naqueles rubros lábios de ígneo desejo,

Naqueles olhos ternos, abertos para o infinito imenso!...

Fizeste-me eternidade num só oásis, me fazendo tenso,

Incendiado, me absorvendo inteiro, adormecido no teu beijo!...


Vem ser, Tu, inteiro e longo poema… em mim rimado verso!!...

Pedaço de vida, sol nascente, lua cheia em noites tormentosas!...

És sonho só no ventre!!... no pensamento és pureza, és verdade!!...


Deixa que te envolva numa lágrima, cristalina de universo!...

Passeia-te livre na minha alma… qual perfume de rosas!!....

Não, não sei quem és?!!!... mas já te sinto Saudade!!!...


JoséAgostinhoFins

(fins.707@gmail.com)


quinta-feira, 25 de setembro de 2008

A CTMAD também é teatro

por Serafim Falcão

Vamos escrever à transmontana: como "filhos do granito, nosso pai e da terra nossa mãe", como " irmãos do sol e do vento". Com a robustez e frondosidade do castanheiro, a aspereza do seu ouriço fechado, mas também com a sua generosidade e abertura; com a rigidez granítica da cepa da urze e da torga que, outrora, na frágua, amaciava e temperava o ferro; com a frontalidade das altas montanhas, que nos tornam ágeis e enérgicos e cujas vertentes, aparentemente, desenhadas no rosto, desaparecem, ao primeiro impacto humano.

A CTMAD não é só sardinha assada, magusto e fumeiro, Douro, Porca de Murça e Valpaços, elementos que fazem parte dos nossos genes. É também, e felizmente com frequência, exaltação dos nossos valores, exaltação e elogio das nossas personalidades e gentes, o dar conhecimento dos nossos e não só nossos escritores, bem como a divulgação das suas obras, cuja casa se tem mostrado pequena para a assídua e viva assistência.

É também, ultimamente, esforço e objectivo da nova Direcção " reactivar o mais possível o Conselho Regional."

Todavia, ainda não é Teatro, embora exista o Grupo de Teatro, há três anos, ressuscitado, animado e levado a palco, pelo nosso sócio Fernando Marinho. Fez a sua apresentação e divulgação na Junta de Freguesia de S.João de Brito com poesia e leitura de extractos da peça, em três actos, "Casa de Pais"de Francisco Ventura que, depois, levou a Palco, durante três dias, no Auditório Carlos Paredes da Junta de Freguesia de Benfica e um dia, no Salão dos Bombeiros Voluntários de Queluz. Os Cenários foram pintados por um casal, actores, que nem transmontanos são, e transportados, montados e desmontados com a ajuda do próprio Grupo. Acontecendo o mesmo, na recente apresentação, durante dois dias, no mesmo Auditório, das Peças " O Doido e a Morte" de Raul Brandão e "Uma Anedota" de Marcelino Mesquita.

Se agradecemos a presença simpática e estimulante de alguns elementos da Direcção bem como de poucos sócios, lamentamos a ausência dos outros, apesar de, ao contrário das outras representações, haver abundante publicidade, inúmeros panfletos, no nosso Jornal, na Agenda Cultural da Cidade, na Internete. - As Festas da Cidade..... - E o que é nosso, não conta?

Alguém disse que "o Teatro não dá dinheiro". E eu escrevi: "Quem assim fala não é transmontano". Será que é?

Espero que as minha linhas talvez azedas como os azedões e as acelgas, acres como as arrabaças, sejam recebidas com o aconchego, a humildade verdejante e fresca da meruja, quatro elementos da Nossa Terra, a que eu chamo acepipes, manjares ou mesmo especiarias frescas da mesa transmontana que ainda falta desenvolver e divulgar. Transmontanos e respectivos amigos, venham ao TEATRO.

quinta-feira, 22 de maio de 2008

TEATRO DA CTMAD EM BENFICA

14 Junho 21:30

e
15 Junho 17:00
AUDITÓRIO CARLOS PAREDES
GRUPO DE TEATRO
DA
CTMAD
Apresenta

"O Doido e a Morte"
de Raúl Brandão
Personagens
Senhor Milhões - Fernando Marinho
Governador Civil - Serafim Falcão
D. Ana B. Moscoso - Mafalda Sofia
Nunes - Sérgio Reis

"A Anedota"
de Marcelino Mesquita
Personagens
Director - Serafim Falcão
Rapaz - Carla Sofia
Empregado - Sérgio Reis

"Os Malefícios do Tabaco"
de Anton Tchekov
Personagens
Conferencista - Fernando Marinho
Apoio – Junta Freguesia Benfica – Livrarte, Livros e Artes-Remar-CTMAD



O Grupo de Teatro da Casa de Trás-os-Montes e Alto Douro comemorou, em Março último, dois anos de existência.

É este Grupo formado por elementos das mais diversas profissões e escalões etários, mas todos irmanados de força de vontade e dignidade teatral.
Participou o Grupo em vários eventos e tertúlias poéticas, apoiando organizações humanitárias e instituições sem fins lucrativos.
Tendo como organizador, actor e encenador Fernando Marinho, foi com muita dignidade que o Grupo representou a peça “Casa de Pais”, de Francisco Ventura, com grande adesão do público onde se apresentou.
Dando continuidade ao seu trabalho, vai o Grupo apresentar nos dias 14 de Junho às 21:30 e 15 de Junho (Domingo) 2008, pelas 17:00 h, no Auditório Carlos Paredes, em Benfica, três peças: O DOIDO E A MORTE de Raúl Brandão, UMA ANEDOTA de Marcelino Mesquita e MALEFÍCIOS DO TABACO DE Anton Tchekov.



quinta-feira, 24 de maio de 2007

CASA DE PAIS

CASA DE PAIS foi escrita na Primavera de 1940 e entregue, nesse mesmo ano, no Teatro Nacional de D. Maria II.
Submetida, em 1945, à apreciação da Comissão de Leitura do mesmo Teatro, e classificada, subiu à cena em 30 de Abril de 1945. Em 1956 foi adaptada à rádio e transmitida pela Emissora Nacional.
Adaptada também à televisão, a sua transmissão verificou-se na noite de 1 de Agosto de 1960, repetindo-se em 3 de Outubro do mesmo ano, devido a insistentes pedidos do público. Pelo mesmo motivo, voltou a ser transmitida em 7 de Março de 1963, incluída nas festas de aniversário da Rádiotelevisão Portuguesa.
Em 23 de Setembro de 1956, em récita promovida pelo Círculo de Divulgação do Teatro português, serviu para inaugurar o Teatro de Gavião, terra natal do autor.
Desde a sua estreia, tem sido largamente representada por inúmeros agrupamentos, experimentais e de amadores, em todo o país.


SINOPSE DA PEÇA

De várias gerações familiares, quando o pai chegava a idade avançada, eram desprezados pelos filhos, postos ao abandono e obrigados a ir pedir esmola. Esta peça situa uma dessas famílias.

O pai foi obrigado, por dois filhos e uma pérfida nora, a vender todos os seus bens.

De idade avançada e sem forças o pretenderam pôr ao abandono. Porém, um dos filhos solteiro não o permitia. Várias lutas verbais com os outros irmãos mais velhos, e lutando para que fosse permitido um namoro contrariado pela mãe de sua amada, conseguiu vencer o mal pelo bem, fez com que terminasse a maldita tradição, acabando todos por pedir perdão ao pai e assim ficarem todos felizes.