terça-feira, 23 de fevereiro de 2010

Homenagem a Escritores de Barroso

É com vivo entusiasmo que o informamos da homenagem aos nossos amigos e escritores transmontanos Dr. Bento da Cruz, Dr. João Barroso da Fonte e Padre Lourenço Fontes na nossa Casa no dia 26, sexta-feira, pelas 18 horas.

Acontece que estes nossos queridos amigos fazem anos entre 19 e 22 de Fevereiro. Além disso o Dr. Bento da Cruz acaba de assinalar os seus cinquenta anos de vida literária; o Dr. Barroso da Fonte e o Padre Lourenço Fontes viram agora completado um perfil biográfico sobre as suas vidas e obras.

Como expressão de amizade, gratidão e carinho resolvemos organizar uma cerimónia com os seus amigos transmontanos e alto-durienses a residir em Lisboa, num encontro de proximidade, partilha, convívio e reconhecimento do seu trabalho criativo, exortando-os a continuar a dar o testemunho de um tempo e de uma terra que Miguel Torga consagrou como “ Um Reino maravilhoso”.

Na ocasião os autores falam da sua obra e no final tem lugar uma refeição ligeira para quem o solicitar até à véspera.

No sábado, dia 27, sábado, pelas 12h, vai decorrer um Almoço Transmontano no Restaurante Quinta Antiga.

Contamos também com a sua honrosa presença e aguardamos a respectiva reserva para este evento.

A Direcção da CTMAD

segunda-feira, 25 de janeiro de 2010

SOBRE O LANÇAMENTO DO LIVRO “CORRESPONDÊNCIA – 1873/1908”

Organização, leitura e notas Hirondino Fernandes,

Bragança, Brigantia, 2008-2009.

A publicação da Correspondência de Trindade Coelho, publicada no final de 2009, é um dos mais interessantes acontecimentos literários dos últimos tempos. Oferece um texto fascinante pela beleza da escrita e pela sua riqueza documental.

Hirondino da Paixão Fernandes (o mais erudito de todos os transmontanos) coligiu, leu e anotou, num opulento volume, 511 missivas escritas por Trindade Coelho, entre 1873 e 1908. Estas cartas preenchem quase todo o percurso existencial do autor (desde os 12 anos até ao fim da vida) e dão testemunho do seu relacionamento com cerca de uma centena de destinatários, entre os quais se encontra um amplo leque dos mais ilustres vultos do horizonte literário e cultural português daquele tempo.

A correspondência está organizada e distribuída por ordem cronológica e vem acrescentada com índices exaustivos de lugares, pessoas e assuntos, que facilitam a procura dos aspectos que mais podem interessar a cada leitor.

Percorrendo toda a obra são muitos e bons os motivos que tornam particularmente gratificante a sua leitura.

Salientam-se, pela sua extensão e importância, as 67 cartas de intenso dramatismo emocional dirigidas à lusitanista alemã Luísa EY (um romance-verdade mais bem escrito do que muitos romances epistolares);

A reflexão apaixonada sobre a educação e a política educativa, a discussão crítica e teorética sobre a escrita e a literatura são aspectos que documentam, com grande autenticidade, a conjuntura histórica da época, e que manifestam um raro sentido crítico, uma dimensão cívica, e um vigor intelectual admiráveis. Trindade Coelho foi um grande escritor e um homem sério que cultivou a liberdade e que praticou e defendeu a justiça.

Finalmente, a correspondência revela um transmontano amante da sua terra e da sua gente, generoso para com os seus conterrâneos, e com uma fervorosa vinculação do escritor e da sua criatividade literária às raízes do saudoso pátrio lar.


#Telmo Verdelho

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CURRICULUM VITAE

Telmo Verdelho (1943/11/1).

1.1. Licenciatura em Filologia Românica; doutoramento em Linguística Portuguesa, agregação em História da Língua.

1.3. Professor Catedrático (Universidade de Aveiro) aposentado.

1.4. Actividade docente

— Universidade de Aveiro (1977 — 2007)

— Bolseiro do Governo Francês (1980-84) na Universidade de Paris IV (Sorbonne).

— "Chargé de conférences", na Ecole Pratique des Hautes Etudes, em Paris, (1984).

— Professor Convidado, na Universidade de Paris IV (Sorbonne) (1991/92).

— Professor Visitante na Universidade de Santiago de Compostela em 2000/2001

— Professor Convidado na Universidade da Corunha (2004/2005).

1.5. Participou em várias dezenas de encontros científicos com apresentação de comunicações; integrou muitos júris de concursos e de provas académicas, e orientou e continua a orientar teses de doutoramento e de mestrado nas áreas da linguística, da filologia e da história da cultura.

1.6. Coordenou vários projectos de investigação, o último dos quais, financiado pela FCT, sob a referência de “Corpus” Lexicográfico do Português", mantém na Internet um portal com a abundante informação sobre os dicionários e a lexicografia portuguesa.

1.7. Foi distinguido com o primeiro prémio da Sociedade de Língua Portuguesa e Instituto do Livro (1981)



Principais publicações:



Além de inúmeros artigos versando temas da sua especialidade, publicou os seguintes livros:

As Palavras e as Ideias na Revolução Liberal de 1820. Coimbra, INIC, 1981.

Índice reverso de "Os Lusíadas". Coimbra, Biblioteca Geral da Universidade, 1981.

As origens da gramaticografia e da lexicografia latino-portuguesas. Aveiro, INIC, 1995.

Dicionarística portuguesa: inventariação e estudo do patrimómio lexicográfico. (em colaboração com João Paulo Silvestre, Aveiro: Universidade de Aveiro, 2007.

O encontro do português com as línguas não europeias, exposição de textos interlinguísticos. Lisboa, Biblioteca Nacional de Portugal, 2008.

sábado, 23 de janeiro de 2010

Mais uma exposição de pintura na sede

José Augusto Coelho, brindou-nos mais uma vez com as suas telas, nas quais e através das quais, ele plasma reminiscências que lhe advêm dum passado espaço-temporal que não renega. Bem pelo contrário, faz gala em trazê-las para o presente, em impô-las ao nosso olhar, em embrenhá-las na nossa sensibilidade.
Desde as puídas botas do avô, no quadro “Páginas da Vida” aos verdes e amarelos de vários outros quadros que lhe devem povoar as cearas e as várzeas da saudade, José Augusto Coelho está indelevelmente ligado à terra que o viu nascer e às terras que o formaram.
Daí que a sua pintura, muitas vezes onírica, não deixe de ser límpida, bucólica, romântica e terrena, naquilo que estas expressões têm de mais sincero, de mais enraizado, de mais sensível, de mais material.
Utilizando frequentemente técnicas mistas, como o óleo e o acrílico, e também aqui, simbolicamente, o passado e o presente, somos, perante muitos dos seus quadros, levados a concluir que estando perante uma pintura não susceptível de etiquetagem simplista, não conseguimos discernir se estamos perante uma pintura abstractamente concreta, como uma ou outra tela nos querem transmitir ou se ela é concretamente abstracta como outra ou outra além nos querem fazer deduzir.
#José Luís Castor

terça-feira, 24 de novembro de 2009

Planalto !...

Imenso aquele planalto de ouro, dourado, que o rio
Corta em profunda garganta, descuidada, tão rochosa!..
Lá brotou, num fraguedo agreste, a mais bela rosa,
Que o Sol aqueceu e o orvalho aveludou frio!...

Era já Outono!... envolta pelo Sol, reluzente manto,
Que a vidraça deixa ver numa esquina da vida,
Aquela rosa vermelha, era já mais bela e florida,
Como florido era na minha alma aquele recanto!...

Pétalas de veludo, tão vermelhas, de fino traço,
De onde um perfume exala e sobe no espaço,
Que Cupido, passando, na aljava todo recolheu!...

Olhos que te viram deleitados suspensos na vidraça,
Recebem um raio de fogo, de um olhar que embaraça!...
Lançando-o contra um peito, onde a rosa floresceu!!....


JoséAgostinhoFins
Agrochão - Vinhais
(fins.707@gmail.com)

segunda-feira, 26 de outubro de 2009

Linha do Tua, património por classificar

O desenvolvimento da região trasmontana tem passado pelas vias férreas e pelos vales dos rios onde foram construídas: Sabor, Tua e Corgo.

As obras da linha do Tua começaram há 125 anos. Actualmente está em risco de ser submersa pela barragem.

Eis uma cronologia da sua vida, até ao fim do século passado:

16 de Outubro de 1884 - Arranque das obras da via, em Mirandela. Depois de pouco tempo, o engenheiro é forçado a desistir, ao não revelar firmeza para a liderança da força de trabalho conflituosa, e ao mesmo tempo dirigir a obra, que revelava ser um desafio enorme. É substituído pelo açoreano Dinis da Mota, cuja assinatura passaria ainda pela Linha do Dão.

27 de Outubro de 1887 - Inauguração da Linha do Tua, entre o Tua e Mirandela, com a locomotiva Trás-os-Montes, tripulada pelo engenheiro Dinis da Mota. D. Luís I e o Príncipe Real compareceram às concorridas cerimónias na estação de Mirandela.

1899 - Reorganização dos Caminhos de Ferro em Portugal, e criação do Fundo Especial dos Caminhos de Ferro, que possibilitou um relembrar do reatamento das obras rumo a Bragança.

1901 - Uma firma inglesa mostra interesse em construir o troço Mirandela - Bragança, e ainda um ramal de ligação às minas de Vimioso, mas o processo não avança e cai rapidamente no esquecimento.

24 de Março de 1902 - É firmado um contrato provisório de construção com aquele que ficaria celebrizado numa estela na estação de Bragança, e com a avenida que começa neste edifício, como o "arrojado empreiteiro do caminho-de-ferro Mirandela-Bragança", João da Cruz.

20 de Julho de 1903 - A CN, depois de João da Cruz, pela dimensão da obra, lhe ter trespassado o contrato de construção, e depois de uma reunião promovida pela CM Bragança, onde figurou o incansável patrono da Linha do Tua Conselheiro Abílio Beça, relança a construção final da via para Bragança. João da Cruz será o engenheiro-chefe e empreiteiro da obra; virá a falir com este esforço.

02 de Agosto de 1905 - O Comboio chega ao Romeu.

15 de Outubro de 1905 - O Comboio chega a Macedo de Cavaleiros.

18 de Dezembro de 1905 - O Comboio chega a Sendas.

14 de Agosto de 1906 - O Comboio chega a Rossas.

01 de Dezembro de 1906 - O Comboio chega a Bragança. Bragança não é estação de topo, mas as obras acabam para não mais serem reatadas, de modo a levar a Linha do Tua até à Puebla de Sanábria [Espanha].

27 de Abril de 1910 - Morre na estação de Salsas o Conselheiro Abílio Beça, trucidado pelo comboio que tão incansavelmente tinha lutado para trazer à capital de distrito.

Década de 1940 - A Linha do Tua passa para a CP.

15 de Dezembro de 1991 - Encerramento do troço Mirandela - Macedo de Cavaleiros. Entram em funcionamento autocarros de substituição para transbordo, deixando o troço Macedo de Cavaleiros - Bragança isolado do resto da Linha do Tua.



quarta-feira, 16 de setembro de 2009

Surpresa!...

Surpresa!!?... qual onda plásmica de luz, que meus sentidos

Tocou todos tão intensos!... e me lançando no espaço

Como à procura daquele todo tempo infinito, do teu abraço,

Do teu corpo, onde ecoando ainda que surdos os gemidos!...


Prolongaste-me naqueles rubros lábios de ígneo desejo,

Naqueles olhos ternos, abertos para o infinito imenso!...

Fizeste-me eternidade num só oásis, me fazendo tenso,

Incendiado, me absorvendo inteiro, adormecido no teu beijo!...


Vem ser, Tu, inteiro e longo poema… em mim rimado verso!!...

Pedaço de vida, sol nascente, lua cheia em noites tormentosas!...

És sonho só no ventre!!... no pensamento és pureza, és verdade!!...


Deixa que te envolva numa lágrima, cristalina de universo!...

Passeia-te livre na minha alma… qual perfume de rosas!!....

Não, não sei quem és?!!!... mas já te sinto Saudade!!!...


JoséAgostinhoFins

(fins.707@gmail.com)


quinta-feira, 25 de setembro de 2008

A CTMAD também é teatro

por Serafim Falcão

Vamos escrever à transmontana: como "filhos do granito, nosso pai e da terra nossa mãe", como " irmãos do sol e do vento". Com a robustez e frondosidade do castanheiro, a aspereza do seu ouriço fechado, mas também com a sua generosidade e abertura; com a rigidez granítica da cepa da urze e da torga que, outrora, na frágua, amaciava e temperava o ferro; com a frontalidade das altas montanhas, que nos tornam ágeis e enérgicos e cujas vertentes, aparentemente, desenhadas no rosto, desaparecem, ao primeiro impacto humano.

A CTMAD não é só sardinha assada, magusto e fumeiro, Douro, Porca de Murça e Valpaços, elementos que fazem parte dos nossos genes. É também, e felizmente com frequência, exaltação dos nossos valores, exaltação e elogio das nossas personalidades e gentes, o dar conhecimento dos nossos e não só nossos escritores, bem como a divulgação das suas obras, cuja casa se tem mostrado pequena para a assídua e viva assistência.

É também, ultimamente, esforço e objectivo da nova Direcção " reactivar o mais possível o Conselho Regional."

Todavia, ainda não é Teatro, embora exista o Grupo de Teatro, há três anos, ressuscitado, animado e levado a palco, pelo nosso sócio Fernando Marinho. Fez a sua apresentação e divulgação na Junta de Freguesia de S.João de Brito com poesia e leitura de extractos da peça, em três actos, "Casa de Pais"de Francisco Ventura que, depois, levou a Palco, durante três dias, no Auditório Carlos Paredes da Junta de Freguesia de Benfica e um dia, no Salão dos Bombeiros Voluntários de Queluz. Os Cenários foram pintados por um casal, actores, que nem transmontanos são, e transportados, montados e desmontados com a ajuda do próprio Grupo. Acontecendo o mesmo, na recente apresentação, durante dois dias, no mesmo Auditório, das Peças " O Doido e a Morte" de Raul Brandão e "Uma Anedota" de Marcelino Mesquita.

Se agradecemos a presença simpática e estimulante de alguns elementos da Direcção bem como de poucos sócios, lamentamos a ausência dos outros, apesar de, ao contrário das outras representações, haver abundante publicidade, inúmeros panfletos, no nosso Jornal, na Agenda Cultural da Cidade, na Internete. - As Festas da Cidade..... - E o que é nosso, não conta?

Alguém disse que "o Teatro não dá dinheiro". E eu escrevi: "Quem assim fala não é transmontano". Será que é?

Espero que as minha linhas talvez azedas como os azedões e as acelgas, acres como as arrabaças, sejam recebidas com o aconchego, a humildade verdejante e fresca da meruja, quatro elementos da Nossa Terra, a que eu chamo acepipes, manjares ou mesmo especiarias frescas da mesa transmontana que ainda falta desenvolver e divulgar. Transmontanos e respectivos amigos, venham ao TEATRO.