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*Alexandre Herculano
Homem valente!... mão esquerda armada em garra com "dedais",
Na direita, a seitoura arqueada, em aço, bem afiada e cortante;
Na cabeça, o chapéu de palha protege-o do Sol escaldante!..
O corpo rijo inclinado sobre a seara madura, (dos trigais,
Ou dos centeios), dourada, com a fresca brisa ondulante,
Que ele derruba, a golpes sucessivos, em arcos quase iguais,
Deixando atrás de si o restolho e as gabelas tão iguais,
Que atará em molhos, com saber e arte, num abraço possante!
...
Bem alimentado!... o “pipo” do vinho e a cantarinha de barro,
De água fresca, desejada, a circular!.... o sol escalda e o esforço
É desmedido, por entre a palha ardente e as fartas espigas!...
A cada braçada sua a seara tomba!... (vê-lo, era um regalo!...),
Quando pelo caule faz passar o gume de aço e nada grosso,
Enquanto lança no ar as canseiras, na forma de cantigas!....
JoséAgostinhoFins
Agrochão – Vinhais
(fins.707@gmail.com)
Uma vez mais a Cidade de Ourense promove o seu Prémio de Poesia, destinado a originais em Galego e Português. O vencedor arrecadará a quantia de 6.000 euros e verá a sua obra publicada.
O prazo de entrega de originais (que, para os poetas portugueses, poderá ser feita na Câmara Municipal de Vila Real) termina no dia 30 de Abril de 2010.
Os interessados no concurso poderão solicitar as bases ao Grémio Literário Vila-Realense, através do endereço gremio@cm-vilareal.pt ou pelo telefone 259 303 083.
É com vivo entusiasmo que o informamos da homenagem aos nossos amigos e escritores transmontanos Dr. Bento da Cruz, Dr. João Barroso da Fonte e Padre Lourenço Fontes na nossa Casa no dia 26, sexta-feira, pelas 18 horas.
Acontece que estes nossos queridos amigos fazem anos entre 19 e 22 de Fevereiro. Além disso o Dr. Bento da Cruz acaba de assinalar os seus cinquenta anos de vida literária; o Dr. Barroso da Fonte e o Padre Lourenço Fontes viram agora completado um perfil biográfico sobre as suas vidas e obras.
Como expressão de amizade, gratidão e carinho resolvemos organizar uma cerimónia com os seus amigos transmontanos e alto-durienses a residir em Lisboa, num encontro de proximidade, partilha, convívio e reconhecimento do seu trabalho criativo, exortando-os a continuar a dar o testemunho de um tempo e de uma terra que Miguel Torga consagrou como “ Um Reino maravilhoso”.
Na ocasião os autores falam da sua obra e no final tem lugar uma refeição ligeira para quem o solicitar até à véspera.
No sábado, dia 27, sábado, pelas 12h, vai decorrer um Almoço Transmontano no Restaurante Quinta Antiga.
Contamos também com a sua honrosa presença e aguardamos a respectiva reserva para este evento.
A publicação da Correspondência de Trindade Coelho, publicada no final de 2009, é um dos mais interessantes acontecimentos literários dos últimos tempos. Oferece um texto fascinante pela beleza da escrita e pela sua riqueza documental.
Hirondino da Paixão Fernandes (o mais erudito de todos os transmontanos) coligiu, leu e anotou, num opulento volume, 511 missivas escritas por Trindade Coelho, entre 1873 e 1908. Estas cartas preenchem quase todo o percurso existencial do autor (desde os 12 anos até ao fim da vida) e dão testemunho do seu relacionamento com cerca de uma centena de destinatários, entre os quais se encontra um amplo leque dos mais ilustres vultos do horizonte literário e cultural português daquele tempo.
A correspondência está organizada e distribuída por ordem cronológica e vem acrescentada com índices exaustivos de lugares, pessoas e assuntos, que facilitam a procura dos aspectos que mais podem interessar a cada leitor.
Percorrendo toda a obra são muitos e bons os motivos que tornam particularmente gratificante a sua leitura.Salientam-se, pela sua extensão e importância, as 67 cartas de intenso dramatismo emocional dirigidas à lusitanista alemã Luísa EY (um romance-verdade mais bem escrito do que muitos romances epistolares);
A reflexão apaixonada sobre a educação e a política educativa, a discussão crítica e teorética sobre a escrita e a literatura são aspectos que documentam, com grande autenticidade, a conjuntura histórica da época, e que manifestam um raro sentido crítico, uma dimensão cívica, e um vigor intelectual admiráveis. Trindade Coelho foi um grande escritor e um homem sério que cultivou a liberdade e que praticou e defendeu a justiça.
Finalmente, a correspondência revela um transmontano amante da sua terra e da sua gente, generoso para com os seus conterrâneos, e com uma fervorosa vinculação do escritor e da sua criatividade literária às raízes do saudoso pátrio lar.